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Posto de trabalho ou não ganharás o pão com o suor do teu rosto

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      Nos decénios seguintes à Primeira Guerra Mundial o desemprego era geral e a opressão sobre os trabalhadores ia de mal a pior. Um acidente ocorrido na cidade de Maguncia ilustra melhor que todos os tratados de paz, livros de história e dados estatísticos, o estado de barbárie a que se viram reduzidos os grandes países europeus pela incapacidade de manterem a sua economia à tona de água sem o recurso à violência e à exploração. Certo dia, em 1927, em Breslau, a família Hausmann – um casal e dois filhos pequenos –, que vivia em condições muito precárias, recebeu uma carta de um ex-colega de Hausmann oferecendo-lhe o seu posto de trabalho, um posto de confiança ao qual renunciava por uma pequena herança que iria receber em Brooklyn.

Amor em Amado

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"Também outra mulher suspirava de amor nesses dias agitados de São Paulo à espera da visita do ditador. Era a operária Mariana e também para ela a palavra amor tem um significado. Diverso daquele de Marieta, diferente do de Manuela. O amor para ela não quer dizer nem egoísmo, nem ávido desejo imperativo. Seu amor contém admiração e amizade, ela pensa em João como esposo e amante mas, antes de tudo, como companheiro, seu companheiro de cada dia. Seu amor é infinitamente mais complexo que o de Manuela, infinitamente mais profundo que o de Marieta. Sua grandeza está muito além dos limites do leito sonhado por Marieta, do casamento pelo qual anseia Manuela, seu amor abarca as fronteiras de todos os sentimentos, é a vida em toda a sua plenitude, e para ela significa ardente alegria, segura confiança, seu amor a ilumina e dá-lhe forças. Não lhe traz esse amor, nem por um instante sequer, nenhum sofrimento, não lhe causa nenhuma dor, não a faz ter medo, nem chorar, nem desesperar-se, não...

500 anos depois

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Segundo Sarah Adamopoulos, num texto seu escrito para o livro "A Cidade do Teatro", apenas quase 500 anos após a sua estreia em Almada (em 1509) o "Auto da Índia" de Gil Vicente voltaria ser apresentado nesta cidade. Mais precisamente a 25 de Janeiro do ano 2000 na Mostra de Teatro de Almada. O feito coube ao Teatro do Sopro, grupo de Graça Nazaré e Jean-Pierre Fouque. Aqui ficam duas imagens dessa segunda vez do "Auto da Índia" em Almada. 

A avozinha da Trafaria

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"La Nonna - A Avozinha da Trafaria", do argentino Roberto Cossa, foi apresentada pelo GITT - Grupo de Intervenção Teatral da Trafaria na Mostra de Teatro de Almada de 2001. Nesta peça a sórdida La Nonna é uma metafórica avozinha: voraz e insaciável tudo come à conta da família cujos elementos vão morrendo. No fim, fica a velha sozinha continuando a comer a comer a comer... Também pelo cenário, grandes telões listados de cinzentos tons, colocava-se a pergunta se seria La Nonna uma personagem-símbolo dos brutais silos da Trafaria? Na primeira imagem vemos La Nonna já na cena final, julgo, depois de toda a restante família ter desaparecido. Na segunda imagem vemos Vítor Azevedo, histórico actor e encenador do GITT responsável também por esta encenação.  

A Boda da Incrível

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Aqui duas imagens de "A Boda dos Pequenos Burgueses", de Bertolt Brecht, levada à cena pelo Grupo Cénico da Incrível Almadense na Mostra de Teatro de Almada de 2000. Nos anos que se seguiram à sua revitalização em 1998, o Grupo Cénico da Incrível Almadense dirigido por Malaquias Lemos e contando com um largo grupo de notáveis actores, demonstrava grande vitalidade, uma clara demonstração da potencialidade social e artística do teatro amador, neste caso vindo de uma das nossas centenárias colectividades. Na primeira imagem vemos a onda de choque suscitada pela eloquente dança do Amigo do Noivo (o poeta João Vasco Henriques) com a Noiva (Geninha). Gosto particularmente da cara do Noivo (André Canhão, um actor fabuloso a que voltaremos com fotografias de "A Birra do Morto" também pelo Cénico da Incrível). Na segunda imagem novamente o Amigo do Noivo cantando picantes versos.   

H-ISTO, a dança na Mostra

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"H-ISTO", peça da Cláudia Dias, produzida pelo Ninho de Víboras, estreou na Mostra de Teatro de Almada de 2001 na então recém-inaugurada Casa Amarela, Centro Cultural e Juvenil de Santo Amaro no Laranjeiro, e circulava por vários dos seus espaços. A programação de dança contemporânea numa Mostra de Teatro provocou discussões acesas nas reuniões preparatórias. Havia quem defendesse que este tipo de trabalhos seriam híbridos e que por isso não deveriam ter lugar na Mostra de Teatro. Felizmente venceu a ideia de que a Mostra deveria ser, também, um lugar aberto a contaminações. Quanto a mim o percurso artístico da Cláudia Dias está para lá de catalogações. É acima um caso sério de rigor, vitalidade e de enorme consequência metodológica, estética e política. Podem comprová-lo esta quarta-feira, 8 de Novembro, no Teatro Municipal Joaquim Benite, onde a será apresentada a sua última criação, "Terça-Feira, tudo o que é sólido dissolve-se no ar". 

Cristo!

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"Cristo", a última criação de A Lente - Teatro de Aumentar (em 2000), o meu primeiro grupo. Na imagem Ângela Ribeiro, Maria João Costa e Margarida Botelho. Falta o Karas :) A encenação foi do Pedro Raposo, a cenografia da Catarina Pé-Curto, texto de Paulo Mendes. Sendo uma fotografia da última peça d' A Lente, facilmente poderia passar, pelo ambiente, por  uma fotografia de "O Marinheiro" de Fernando Pessoa, a peça inaugural do grupo. Isto se não faltasse nesta imagem o João Lizardo e os seus longos cabelos.