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Amor em Amado

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"Também outra mulher suspirava de amor nesses dias agitados de São Paulo à espera da visita do ditador. Era a operária Mariana e também para ela a palavra amor tem um significado. Diverso daquele de Marieta, diferente do de Manuela. O amor para ela não quer dizer nem egoísmo, nem ávido desejo imperativo. Seu amor contém admiração e amizade, ela pensa em João como esposo e amante mas, antes de tudo, como companheiro, seu companheiro de cada dia. Seu amor é infinitamente mais complexo que o de Manuela, infinitamente mais profundo que o de Marieta. Sua grandeza está muito além dos limites do leito sonhado por Marieta, do casamento pelo qual anseia Manuela, seu amor abarca as fronteiras de todos os sentimentos, é a vida em toda a sua plenitude, e para ela significa ardente alegria, segura confiança, seu amor a ilumina e dá-lhe forças. Não lhe traz esse amor, nem por um instante sequer, nenhum sofrimento, não lhe causa nenhuma dor, não a faz ter medo, nem chorar, nem desesperar-se, não...

A avozinha da Trafaria

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"La Nonna - A Avozinha da Trafaria", do argentino Roberto Cossa, foi apresentada pelo GITT - Grupo de Intervenção Teatral da Trafaria na Mostra de Teatro de Almada de 2001. Nesta peça a sórdida La Nonna é uma metafórica avozinha: voraz e insaciável tudo come à conta da família cujos elementos vão morrendo. No fim, fica a velha sozinha continuando a comer a comer a comer... Também pelo cenário, grandes telões listados de cinzentos tons, colocava-se a pergunta se seria La Nonna uma personagem-símbolo dos brutais silos da Trafaria? Na primeira imagem vemos La Nonna já na cena final, julgo, depois de toda a restante família ter desaparecido. Na segunda imagem vemos Vítor Azevedo, histórico actor e encenador do GITT responsável também por esta encenação.  

A Boda da Incrível

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Aqui duas imagens de "A Boda dos Pequenos Burgueses", de Bertolt Brecht, levada à cena pelo Grupo Cénico da Incrível Almadense na Mostra de Teatro de Almada de 2000. Nos anos que se seguiram à sua revitalização em 1998, o Grupo Cénico da Incrível Almadense dirigido por Malaquias Lemos e contando com um largo grupo de notáveis actores, demonstrava grande vitalidade, uma clara demonstração da potencialidade social e artística do teatro amador, neste caso vindo de uma das nossas centenárias colectividades. Na primeira imagem vemos a onda de choque suscitada pela eloquente dança do Amigo do Noivo (o poeta João Vasco Henriques) com a Noiva (Geninha). Gosto particularmente da cara do Noivo (André Canhão, um actor fabuloso a que voltaremos com fotografias de "A Birra do Morto" também pelo Cénico da Incrível). Na segunda imagem novamente o Amigo do Noivo cantando picantes versos.   

H-ISTO, a dança na Mostra

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"H-ISTO", peça da Cláudia Dias, produzida pelo Ninho de Víboras, estreou na Mostra de Teatro de Almada de 2001 na então recém-inaugurada Casa Amarela, Centro Cultural e Juvenil de Santo Amaro no Laranjeiro, e circulava por vários dos seus espaços. A programação de dança contemporânea numa Mostra de Teatro provocou discussões acesas nas reuniões preparatórias. Havia quem defendesse que este tipo de trabalhos seriam híbridos e que por isso não deveriam ter lugar na Mostra de Teatro. Felizmente venceu a ideia de que a Mostra deveria ser, também, um lugar aberto a contaminações. Quanto a mim o percurso artístico da Cláudia Dias está para lá de catalogações. É acima um caso sério de rigor, vitalidade e de enorme consequência metodológica, estética e política. Podem comprová-lo esta quarta-feira, 8 de Novembro, no Teatro Municipal Joaquim Benite, onde a será apresentada a sua última criação, "Terça-Feira, tudo o que é sólido dissolve-se no ar". 

Cristo!

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"Cristo", a última criação de A Lente - Teatro de Aumentar (em 2000), o meu primeiro grupo. Na imagem Ângela Ribeiro, Maria João Costa e Margarida Botelho. Falta o Karas :) A encenação foi do Pedro Raposo, a cenografia da Catarina Pé-Curto, texto de Paulo Mendes. Sendo uma fotografia da última peça d' A Lente, facilmente poderia passar, pelo ambiente, por  uma fotografia de "O Marinheiro" de Fernando Pessoa, a peça inaugural do grupo. Isto se não faltasse nesta imagem o João Lizardo e os seus longos cabelos.

O tambor da muda

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Amanhã começa a 21ª Mostra de Teatro de Almada. Parece-me um óptimo pretexto para reactivar o Teresa Sindicato , parado desde 2013. Com a ajuda de um digitalizador de negativos meio manhoso (que, ainda assim, consegue recuperar alguma da granulada personalidade da clássica película preto e branco "Kodak Tmax" 3200 asa ) irei publicar, nas próximas duas semanas, algumas das imagens que fiz para as Mostras de 2000 e 2001. As duas primeiras são da peça "Mãe coragem e seus filhos" de Bertolt Brecht, numa encenação de Joaquim Benite para a Companhia de Teatro de Almada. Na primeira imagem a actriz Maria Frade no papel de Kattrin, a filha muda. Durante a noite as tropas imperiais preparam-se para atacar à traição a cidade de Halle. Nos arrabaldes os camponeses apercebem-se disso mesmo, do triste destino daqueles que estão na cidade incluindo a Mãe Coragem. Perante a atrocidade iminente os camponeses limitam-se a rezar, esperando desta forma fazer com que alguma su...

Cair de costas parte a espinha a quem tem uma.

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Com pompa e circunstância foi lançado o manifesto “A cultura apoia António Costa”. Um manifesto em formato de petição subscrita por “centenas de intelectuais” segundo a notícia do jornal Público, um órgão de comunicação social da SONAE que nos últimos anos caracteriza-se por uma linha editorial em relação à Cultura que tem sustentado e promovido uma ideia da cultura enformada ao campo da economia, acompanhando e apoiando as políticas culturais de direita apostadas em alargar a hegemonia do grande capital na esfera da transmissão e disseminação de valores e, simultaneamente, aprofundar o potencial lucrativo do negócio cultural. Não deixando de investir nas potencialidades da cultura (em particular das artes) ao serviço de tentativas de harmonização das oposições de classe e das atrozes desigualdades inerentes ao capitalismo, as políticas de direita visam no essencial comprimir a autonomia relativa do trabalho cultural e artístico; levantar o mais alto possível o muro entre fruido...

Paraíso depois de morto?! Encham vocês a barriga com ele! *

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Joane O Parvo é um personagem que nos causa grande intriga. Não tanto o personagem, mas a forma como Gil Vicente o contextualiza no Auto da Barca do Inferno. Custa acreditar que essa figura surja nesta peça apenas como efeito cómico, um truque de autor para fazer rir. Um personagem efeito que alguns peritos chegam a dizer não representar qualquer classe ou camada social.

OS PRIVADOS QUE COMPREM A CULTURA! (o belo negócio do mecenato)*

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No espaço de dois anos, duas reportagens de algum fôlego sobre cultura e economia (duas palavras cada vez mais vistas juntas, coladinhas uma à outra) publicadas no jornal Público espelham bem o processo de mercantilização em curso da cultura. Ambas as reportagens são assinadas por Alexandra Prado Coelho.