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Cómica e marítima

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Duas imagens da "História Cómico-Marítima" apanhadas no decorrer da Mostra de Teatro de Almada de 2001 no Teatro Estúdio (Rua Serpa Pinto) se não me falha a memória. Esta apresentação terá sido no seu interior após a estreia ter sido no exterior, no pátio adjacente à sala. Na primeira imagem três dos cinco fundadores do Teatro Extremo: os actores Fernando Jorge Lopes, Paulo Duarte e Rui Cerveira. Faltam na imagem os outros dois: a produtora Sofia Oliveira e Mário Timóteo, actor que já não se encontra entre nós. Gosto particularmente da tensão do punho de Fernando Jorge Lopes que pouco amedronta Rui Cerveira que, já calmo, encontramos depois, na segunda imagem, a controlar a navegação. A primeira vez que assisti a uma peça do Extremo foi também a sua primeira criação: "Os Infernos da Barca", uma brilhante versão do "Auto da Barca do Inferno". Lembro-me de ter saído já tarde mais o Pedro Raposo do Festival de Teatro de Almada e fomos até à Lemaut...

O tambor da muda

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Amanhã começa a 21ª Mostra de Teatro de Almada. Parece-me um óptimo pretexto para reactivar o Teresa Sindicato , parado desde 2013. Com a ajuda de um digitalizador de negativos meio manhoso (que, ainda assim, consegue recuperar alguma da granulada personalidade da clássica película preto e branco "Kodak Tmax" 3200 asa ) irei publicar, nas próximas duas semanas, algumas das imagens que fiz para as Mostras de 2000 e 2001. As duas primeiras são da peça "Mãe coragem e seus filhos" de Bertolt Brecht, numa encenação de Joaquim Benite para a Companhia de Teatro de Almada. Na primeira imagem a actriz Maria Frade no papel de Kattrin, a filha muda. Durante a noite as tropas imperiais preparam-se para atacar à traição a cidade de Halle. Nos arrabaldes os camponeses apercebem-se disso mesmo, do triste destino daqueles que estão na cidade incluindo a Mãe Coragem. Perante a atrocidade iminente os camponeses limitam-se a rezar, esperando desta forma fazer com que alguma su...

Cair de costas parte a espinha a quem tem uma.

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Com pompa e circunstância foi lançado o manifesto “A cultura apoia António Costa”. Um manifesto em formato de petição subscrita por “centenas de intelectuais” segundo a notícia do jornal Público, um órgão de comunicação social da SONAE que nos últimos anos caracteriza-se por uma linha editorial em relação à Cultura que tem sustentado e promovido uma ideia da cultura enformada ao campo da economia, acompanhando e apoiando as políticas culturais de direita apostadas em alargar a hegemonia do grande capital na esfera da transmissão e disseminação de valores e, simultaneamente, aprofundar o potencial lucrativo do negócio cultural. Não deixando de investir nas potencialidades da cultura (em particular das artes) ao serviço de tentativas de harmonização das oposições de classe e das atrozes desigualdades inerentes ao capitalismo, as políticas de direita visam no essencial comprimir a autonomia relativa do trabalho cultural e artístico; levantar o mais alto possível o muro entre fruido...

A casa em chamas (Parábola do Buda)

Gautama, o Buda, ensinava a doutrina da roda dos desejos, à qual estamos atrelados, e recomendava a renúncia a qualquer apetite para assim, sem paixões, mergulharmos no Nada a que ele chamava Nirvana. Um dia os seus discípulos perguntaram: - Como é esse Nada, mestre? Todos queremos libertar-nos das nossas ânsias, seguindo o que recomendas, mas diz-nos se esse Nada em que entraríamos é comparável à união com o todo criado quando ao meio-dia flutuamos na água sem sentir o peso do corpo, indolentes, quase sem pensamentos. Ou quando no leito, quase não conscientes, puxamos do lençol segundos antes de nos afundarmos no sonho; diz-nos se esse Nada de que falas é um Nada radiante e bom ou se é um simples Nada; frio, vazio e sem sentido.

Contusão VI

ao homem contuso espetou-se-lhe uma ponta de palmeira no braço seis centímetros dentro da carne

1940

Meu filho pequeno pergunta-me: Tenho de aprender matemáticas? Para quê?, quis dizer-lhe. Que dois pedaços de pão são mais que um em breve te darás conta. Meu Filho pequeno pergunta-me: Tenho de aprender francês? Para quê?, quis dizer-lhe. Essa nação afunda-se. Aponta para a boca e mexe com a mão na barriga, eles depressa te entenderão. Meu filho pequeno pergunta-me: Tenho de aprender história? Para quê?, quis dizer-lhe. Aprende a esconder a cabeça na terra e talvez te salves. Sim, aprende matemáticas, digo-lhe, Aprende francês, aprende história! Bertolt Brecht, Poemas e canções Traduzido do castelhano por Oceano Falésia

Paraíso depois de morto?! Encham vocês a barriga com ele! *

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Joane O Parvo é um personagem que nos causa grande intriga. Não tanto o personagem, mas a forma como Gil Vicente o contextualiza no Auto da Barca do Inferno. Custa acreditar que essa figura surja nesta peça apenas como efeito cómico, um truque de autor para fazer rir. Um personagem efeito que alguns peritos chegam a dizer não representar qualquer classe ou camada social.